lugar comum




Aquarela ou Vanilla Sky

 

Dois desejos e um olhar. No mesmo instante as retinas captaram o alaranjado manchado.

Ainda que na película a beleza não tenha alcançado o seu potencial máximo, se encontraram no rosado arrastado daquele instante único.

E através das lentes quiseram ser eternos assistindo o azul renunciar.

 

Para meu amigo Gabriel

 

 (foto do entardecer da varanda do meu apartamento)



 Escrito por Mari às 14h47
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Lavadeira

              

Lágrimas lavam meu novo ano

Lavam memórias, deixando-as leves

Banham esperanças com sal

Enquanto ponho de molho um coração encardido

 



 Escrito por Mari às 14h41
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LIDA

 

O trabalho mata a poesia.

Trabalho dignifica e enobrece.

Quero ser uma poeta digna.

Enquanto isso labuto sem inspiração.



 Escrito por Mari às 12h03
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DESPEDIDA

            Suspiro.

 

            Penso todos os dias naquele mar azul que era o nosso aconchego. Naquele seu sorriso tímido de abrir o portão. Sempre precedido de: "tô chegando, pode descer". Naquela sua cara de "outra vez" ao sentir o cheiro de creme na minha mão no carro todas as manhãs. Na bala que mais da metade das vezes você não queria, a não ser a de canela.

            Você não sabe mas estou curiosa pensando o que foi feito do leite sem lactose pois se bem me recordo a validade ia até o começo de novembro. Será que derramou o leite no ralo tentando assim externalizar a vontade de deixar tudo pra trás?

Será que você pensa em mim quando olha pra aqueles imãs na geladeira? Aqueles mesmos que eu adorava justamente por me trazerem lembranças? Essa lembrança peculiar dos pôsteres de filmes. Lembrança que evoca vontade de (re)ver.

Pelo menos você agora pode (tão ao seu gosto) calçar o chinelo que der vontade quando quiser. Deixar a cama desarrumada quando bem entender. Fechar a cortina quando tiver vontade.

            O som da sua voz matinal me lembrando o remédio não sai da minha cabeça e toda manhã é a mesma coisa tenho que fazer com o pensamento aquilo que fazem com os pássaros no milharal: Xô! Espantalho de mim mesma.

            E quando no momento mais íntimo da hora do fio dental encontrávamos motivo para rir e competir: de quem é a maior sobra? Depois aquele beijo delicado de boa noite com gosto de pasta de dente.

Meu corpo ainda não perdeu a tua forma, aquela forma de dormir encaixado. Moldamos essa forma tão bem que ficou marcada. Formas... Dizem que o conteúdo importa mais que a forma. Concordo em partes. A forma da sua mão fazendo um L nas nossas despedidas dizia tudo. E ainda hoje se fecho os olhos te vejo assim meio de longe, quase de costas com a mão em L dizendo-se já saudoso do reencontro.

            Dizer, aliás, é algo que falta. Falta você me dizer entre as duas e às quatro e meia da tarde: "o que você tá fazendo?" e falta eu te dizer: "pensando em você!". E vice–versa. Risos. Xaveco barato. Por mais que parecesse uma rotina de palavras repetidas a exaustão dia após dia, não era falta de criatividade, era somente o nosso jeitinho tolo de iniciar uma conversa. Tolo como o amor é.

            Amor que hoje posso falar sem medo, pois sei em mim que estou despojada de expectativas e sonhos, então assim posso falar livremente sem me preocupar com o peso ou o eco que as palavras terão em ti. Pois sei que nada quero. Aliás quero sim. Quero poder ao falar ver se esse sentimento se esgotando em mim. Quero que o número 17 deixe de ser símbolo de amor.

            Dias atrás fez frio e eu não consegui usar aquele gorrinho lilás, talvez porque estava acostumada a ouvir que você adorava quando eu colocava... Xô pensamento novamente e o gorro vai para o fundo da gaveta assim como eu gostaria que você também fosse.

         Mas não vai, preciso mandar arrumar a madeira que empenou. Não vai como aquele travesseiro que um dia tentamos afundá-lo, e de nada adiantava, empurrava de um lado ele aparecia de outro. É assim sua imagem em mim, aquele travesseiro que insiste em vir à tona mesmo que eu queria afundá-lo.

                                                                                                               (continua...)



 Escrito por Mari às 22h09
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         O nosso mar azul, que era como praia em dia quente de verão agora está nublado, água cinzenta, praia sem conchas e sem crianças fazendo castelos.

            Aquele mar que transportou nosso barco por mares paradisíacos hoje em tormenta fez o barco virar. E tivemos que nadar cada um pro seu lado. Faz frio fora de você. É vazio o mar azul sem o calor dos nossos corpos abraçados. Sem o seu e o meu cheiro que faziam o nosso. E miro um horizonte distante, esperançosa e um pouco saudosa. Mas tentando navegar sobre um pedaço do barco que sobrou não há tempo para pensar muito. Quer dizer, não em nós. É urgente pensar em uma forma de chegar à terra firme. Depois posso pensar de novo em nós. Quem sabe... Quem sabe a terra firme não traga novas brisas. Novos horizontes. Novos coloridos.

            Estranho é pensar no meu all star e lembrar que você não tem um azul que combina com o meu de cano alto. (licença Nando Reis)

            Queria lavar o rosto e assim como a água suja que leva o infeliz passado, que ela levasse também o peso da perfeição que só faz estragos. E com isso eu também quis poder viver a realidade, ainda que imperfeita era gostosa e cheia de sonhos. Mas já que dizem que bobeira é não viver a realidade vou vivendo a minha. Não mais a nossa. (licença novamente Nando)

            Minhas lembranças de nós passam por caminhos floridos e ensolarados. Quando acabo de atravessar o caminho olho para trás e vejo que é pra lá que eu quero voltar, o que estou fazendo aqui? Tento voltar correndo.... Mas daí como num sonho conforme eu corro para voltar, o caminho vai desaparecendo sob meus pés...

            Quero poder como naquele filme que vimos juntos apagar minhas lembranças. Xiii... Mas daí me lembro que muitas coisas dessa lembrança eu não quero perder. Não quero esquecer como se faz papa de aveia. Não quero esquecer como é bom o show do FCLG. E nem como é assistir um jogo no estádio de futebol. E torcer pro Timão.

            Certa vez você me disse que eu te trazia paz, reflexão, te invadia, te completava, te desafiava, te ensinava a arte de amar. Engraçado pois parece que perdi o material e agora nem eu sei mais aonde encontrar recursos didáticos. Será que conseguirei dar essa aula novamente? Acredito que sim, mesmo que precise modificar o método e os recursos áudios-visuais. Um professor precisa ser criativo. Talvez tenha nos faltado essa criatividade. Ou a curiosidade que move o aluno a descobrir.

            Reconstruo cada passo desde o dia 12 de março de 2005 até hoje na esperança de entender. Entender o que? Nem sei o que quero entender e não entendo. Porque isso não é coisa de entender. É coisa de sentir, de amar, de doer, de chorar, de vibrar.

            E entre sapucaias e sonhos continuamos a viver. Entre dores, perdas, lágrimas mas também entre sorrisos de recomeçar.

 

            Suspiro.

 



 Escrito por Mari às 22h08
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MERCADO SENTIMENTAL

      Se eu comprasse a idéia, essa idéia que a mídia passa de que ser feliz é isso é aquilo, eu já era feliz faz tempo, mas eles esqueceram de me dizer aonde posso comprar.

      Parte da minha tristeza é isso: filosófica, existencial, cultural, social, fabricada pelos mesmos que fabricam a felicidade. Quando algo sai errado gera melancolia, mas isso não preocupa enquanto os lucros estiverem subindo.



 Escrito por Mari às 10h15
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LARANJA MECÂNICA

Tinha eu, quer dizer, Alex e meus três drugues, quer dizer, Pete, Georgie e o Tapado, o Tapado sendo realmente tapado, e nós estávamos sentados no Leite−bar Korova, rassudocando o que fazer da noite, num inverno agitado, preto e gelado, uma merda, se bem que seco. O Leite−bar Korova era um méssito de tomar leite−com, e vós, ó meus irmãos, já podem ter se esquecido como eram aqueles méssitos, com as coisas mudando tão escorre hoje em dia e todo mundo muito rápido pra esquecer, os jornais também não muito lidos. Bom, o que vendiam lá era leite com

alguma coisa. Não tinham licença pra vender bebida, mas também ainda não tinha nenhuma lei contra prodar algumas das novas véssiches que eles costumavam botar no moloco, de modo que a gente podia pitar ele com velocete, ou sintemesque, ou drencrom, ou uma ou duas outras véssiches que deixavam a gente uns bons e tranqüilos quinze minutos horrorshow admirando Bog e Todos os Seus Bem Aventurados Anjos e Santos no sapato esquerdo, e com luzes pipocando dentro do mosgue. Ou se podia pitar leite com facas, como a gente costumava dizer, e isso deixava a gente afiado e pronto pra uma sujeira de vinte−contra−um, e era isso que a gente estava pitando naquela noite com que eu estou começando a história.

               .

               .

               .

               .

Mas, pra onde eu estou itando agora, ó meus irmãos, é tudo no meu odinoque, aonde vocês não podem ir. Amanhã é tudo assim meigas flores e a vonenta da terra que roda e as estrelas e a velha Luna lá em cima e o vosso velho drugue Alex muito no seu odinoque procurando assim uma companheira. E essa quel toda. Um mundo terrível, gréjine e vonento, realmente, ó meus irmãos. E, portanto, o adeus do vosso druginho. E para todos os outros dessa história, chumentas trombetadas labiais, brrr. E eles que lambam os meus cherres. Mas vós, ó meus irmãos, lembrem−se de vez em quando do vosso Alexinho como era. Amém. E essa quel toda.


Bog - Deus

chume - barulho, ruído

cherres - nádegas, bunda

drencrom - droga, tóxico

drugue - amigo

escorre - rápido, depressa

gréjine - sujo, escroto

horrorshow - gostoso, legal, bom

itar - ir, ir para

méssito - lugar, local

moloco - leite

mosgue - cérebro

odinoque - só, sozinho

pitar - beber

prodar - produzir, fabricar

quel - fezes, merda

rassudocar - pensar, imaginar

sintemesque - droga, tóxico

velocete - droga, tóxico

vessiche - coisa

vone - cheiro, odor 

 


 

Primeira e última cena do filme "Laranja Mecânica" de Stanley Kubrick baseado no livro do mesmo título de Antonhy Burguess.



 Escrito por Mari às 19h37
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TWIN PEAKS

Nossa, estou ainda encantada com Twin Peaks, assisti a primeira temporada inteira a semana passada e penso: Como não assisti isso antes?

"O fogo anda comigo"

Nem sei explicar, vai lá e assista. É bem feito em todos os sentidos, primeiro temos seu criador e diretor o fantástico David Lynch (juntamente com Mark Frost) e depois acho que tudo contribuiu, o elenco principalmente e até quem sabe alguma inspiração dada num sonho? O agente Cooper que diria...

Não vejo a hora de sair aqui no Brasil a Segunda Temporada em DVD....apesar de já saber do grande mistério da série - Quem matou Laura Palmer? - vale muito a pena assistir cada capítulo, uma, duas, três, enfim muitas vezes.

Sabe que eu fiquei louca de vontade de fazer uma tatuagem (mais uma!?!) escrito: "o fogo anda comigo", sei lá, ainda tô pensando. O que eu posso dizer? David Lynch me pegou desprevenida e me engoliu para o seu mundo; sabe, depois que eu andei vendo muito os filmes dele parece que eu andei vivendo por uns tempos como uma personagem Lynchiana, aquela fortaleza escondendo uma doce fragilidade, e me dei conta também que eu não posso ficar escondendo minhas inúmeras facetas umas das outras... acho que o melhor a fazer é colocar uma de frente pra outra. Ok, vou parar que já tá ficando confuso. Bem, vou trabalhar esse fim de semana e não saio de lá sem o Coração Selvagem já que a Estrada Perdida não tem em DVD ainda. Ah, ia me esquecendo, consegui pegar uma tese de mestrado (?) de um cara da PUC-RS falando sobre Cidade dos Sonhos, quem quiser peça!

Mais uma coisa, o que é aquela abertura de Twin Peaks???? Putz, aquela música, a madereira em funcionamento e o passarinho....me dá arrepios só de lembrar!



 Escrito por Mari às 13h12
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continuação de 10/02/2004

Essa é a continuação da lista da mensagem de 10/02/2004 que o blog agora disse que ficou muito grande aquela mensagem e eu não poderia mais ampliá-la....bem, a lista continua aqui como sempre atualizada.

Esses são tão bons quanto os outros, mas...:

  • Garota, interrompida
  • Cidade de Deus (Dadinho é o caralho porra, meu nome é Zé Pequeno!)
  • Moulin Rouge
  • Réquiem para um Sonho
  • Outra história americana
  • Corpo fechado
  • Sinais
  • A vila
  • O talentoso Ripley
  • Um estranho no ninho
  • Anna Karennina
  • Profissão de risco
  • Vanilla Sky (refilmagem de Abre los ojos)
  • The Laramie project
  • O filho da noiva
  • Uma mente brilhante
  • A última ceia
  • 21 gramas
  • Bicho de 7 cabeças
  • Festa de família
  • Tempo de despertar
  • Oldboy
  • Encaixotando Helena
  • Má educação
  • Encontros e desencontros
  • Paixão de Cristo (é sempre bom rever a vida deste homem)
  • O homem que copiava
  • Edukators
  • Antes do amanhecer e sua continuação 10 anos depois: Antes do por do sol
  • As horas
  • Os suspeitos
  • O crime do Padre Amaro
  • Advogado do diabo
  • O closet
  • Mickey olhos azuis
  • O diário de Bridget Jones (eu tenho uma queda pelo Hugh Grant, então aqui entram todos os filmes dele...hehehe)
  • O barato de Grace
  • Tenha fé
  • Casamento grego
  • Melhor é impossível
  • 3 formas de amar
  • Entrevista com o vampiro
  • Fim de caso
  • Os outros
  • O povo contra Larry Flynt
  • Lolita
  • Fale com ela
  • Batman (todos! é um ponto fraco)
  • Snatch - Porcos e diamantes
  • Janela da alma (bárbaro)
  • Gênio indomável
  • Corra Lola corra
  • Túmulo com vista
  • Contato
  • As confissões de Schimdt
  • A história de nós dois
  • A dona da história 
  • Todas as cores do amor (Dublin, que saudade!)
  • E sua mãe também
  • Amor além da vida
  • Elvira, a rainha das trevas (atire a primeira pedra quem nunca gostou de um filme sessâo da tarde)
  • Mudança de hábito
  • Dogma do amor
  • Divinos segredos
  • Sleepers - Vingança adormecida
  • Closer
  • O terminal
  • Veludo Azul
  • O carteiro e o poeta
  • Machuca
  • Sideways (assista com uma garrafa do seu vinho preferido)
  • Virgens suicidas
  • Albergue Espanhol (lembranças de uma deliciosa viagem, FOFO!)
  • Bem me quer mal me quer (acho muito triste)
  • Cidadão Kane


 Escrito por Mari às 17h05
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Filmes que não poso deixar de assistir em 2006:

  • Dersu Uzala do Akira Kurosawa pois meu pai me fala desse filme desde que nasci!
  • Os idiotas (fiquei curiosa por conhecer mais sobre Lars Von Trier)
  • Dr. Fantástico e Barry Lyndon e outros, afinal que fã do Kubrick é essa???
  • Manderlay (apesar de ter ouvido dizer que é menos grandioso que Dogville)
  • Sonata de outono do Ingmar Bergman (confesso que a primeira vez que fui assistir eu dormi)
  • Cria Cuervos do Carlos Saura, desde que ouvi a Fernanda Takai do Pato Fu dizer que uma das minhas músicas favoritas do CD é desse filme ele já está entre meus preferidos!
  • A Insustentável leveza do ser do Milan Kundera
  • Os sonhadores
  • Todas as cores do amor (vi no trailler que se passa em Dublin, ai que saudade!) (Assisti!)
  • O tempero da vida
  • Primavera, verão, outono, inverno...e primavera (Assisti!)
  • Herói e o Clã das adagas voadoras (são do mesmo diretor)
  • Nem gravata nem honra do Marcelo Masagão, devo essa pro meu primo Ricardo que me apresentou a esse gênio.
  • Edifício Master
  • Texas Hotel, curta do Cláudio Assis que inspirou o Amarelo Manga
  • A noiva cadáver
  • Amores Brutos do Almodóvar
  • Como água para chocolate
  • Sonhos de Akira Kurosawa
  • Hotel Ruanda
  • O poder do mito
  • O anjo exterminador, pela rápida conexão que fiz com Ensaio sobre a Cegueira.
  • Star Wars, afinal não dá pra negar sua importância e eu nunca assisti NENHUM!
  • Nina
  • Diários de motocicleta
  • Dolls (Assisti!)

É, agora que eu tô trabalhando lá na locadora tudo fica mais fácil! Esa semana eu até peguei TV Pirata pra assistir

Atendi uma mulher que resumiu bem o meu coração cinéfilo: a tranformação que o cinema proporciona e o impacto que ele tem em nossas vidas.

Esse fim de semana estava atendendo essa mulher na videolocadora que me pediu pra indicar um filme que "mudasse a vida dela" (palavras dela). Ela me disse que gostaria de ver um filme que passasse uma mensagem, que depois de assistir ela tirasse alguma lição. Não lembre na hora do Dersu Uzala, mas pelo que ouvi dizer do filme ele seria uma ótima indicação.

Você reparou na capacidade que o cinema tem de mudar a vida das pessoas? O quanto ele nos toca?



 Escrito por Mari às 13h27
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1,99 - Um supermercado que vende palavras - II parte

   Impossível não falar de novo sobre esse filme que até hoje mexe comigo. ASSISTAM!!!

amar é chique/ você consegue/ chique é ser inteligente/ pense diferente/ pense desiludidamente/ seja você mesmo/ você é demais/ você faz e acontece/ cada carro em uma garagem, cada frango em uma panela/ único/ no limits/ o padrão que define é o mesmo que aprisiona/ eu valho a pena/ aumente seus padrões diminuindo suas expectativas/ se você não consegue mudar o vento ajuste a vela/ nunca desista/ você é a única pessoa no mundo que pode fazer o que você faz

necessidade? fetiche? ou a necessidade do fetiche?



 Escrito por Mari às 11h55
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PICASSO X CLARICE LISPECTOR

   Eu acho que essa pintura do Picasso tem tudo a ver com um poema que está escrito no início do livro "A hora da estrela" da Clarice Lispector. Na verdade eu prestando atenção nisso tudo agora me veio na cabeça um nome: "Macabéa intelectualizada", e essa mulher triste e reflexiva para mim não passa de mais uma versão "cult" da nossa querida Macabéa. O que vocês acham disso?

A CULPA É MINHA

OU

A HORA DA ESTRELA

OU

ELA QUE SE ARRANGE

OU

O DIREITO AO GRITO

OU

QUANTO AO FUTURO

OU

LAMENTO DE UM BLUE

OU

ELA NAO SABE GRITAR

OU

UMA SENSAÇÃO DE PERDA

OU

ASSOVIO NO VENTO ESCURO

OU

EU NÃO POSSO FAZER NADA

OU

REGISTRO DOS FATOS ANTECEDENTES

OU

OU HISTÓRIA LACRIMOGÊNICA DE CORDEL

OU

SAÍDA DISCRETA PELA PORTA DOS FUNDOS



 Escrito por Mari às 15h37
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Reflexões sobre o filme 1,99 - Um supermercado que vende palavras

Não é um filme de fácil digestão, mas ainda bem que o Marcelo Masagão se propôs a fazer um filme assim. As pessoas costumam defini-lo como muito louco, chato, muita viagem, etc, mas ali naquele filme eu não vi nada além do que a gente vê no nosso dia a dia aonde o mais importante muitas vezes ao comprar não é a necessidade do produto em si (o celular pra se comunicar) mas o que AQUELE celular traz pra sua vida: sou cool, sou moderno,... E isso não é louco e nem chato e nem viagem do filme, isso é o que vivemos no nosso cotidiano. Aonde o ter é mais importante que o ser e aonde a idéia que esse ter transmite é mais importante que seu uso prático. Eu TENHO um celular com câmera, sou moderno e antenado! E a praticidade e real uso desse equipamento ficam em segundo plano para dar lugar ao fetiche. É bárbara a discussão de como esse universo de consumo nos envolve. A cena dos idosos é outra que também nos diz sobre quem está dentro e fora da sociedade de consumo, os idosos (talvez depois de seus 70 anos) já muitas vezes fora do mercado de trabalho não são mais vistos como possíveis consumidores e a sua desvalorização nesse meio é visível, desde a dificuldade de abrir um crédito em loja até o seu total esquecimento no mercado da publicidade. A solução então encontrada é se manter jovem (!) ou então "sair de cena" entrando na geladeira.
E o incômodo que o filme causa é justamente esse: ninguém escapa do consumo, pobres, ricos, feios, bonitos...agora cabe a nós decidir qual a nossa responsabilidade nesse meio e como podemos nos tornar mais conscientes das nossas atitudes no mundo aonde eu sou o que eu tenho.

E você o que acha disso?

           

Pra saber mais sobre o filme: http://www2.uol.com.br/umnovenove/



 Escrito por Mari às 18h25
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"Amarelou, mangou de mim / Não vai ficar de graça / E dentro dessa caixa / Um corpo indigente, um corpo que não fala, um corpo que não sente"

                                           

Domingo, 02/05/2005, momento único de criação e espontâneidade...sem palavras pra descrever.



 Escrito por Mari às 13h29
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Círculos Mágicos

   Outro dia eu fiquei escutndo o CD do Mombojó e pintando umas mandalas. No site http://www.free-mandala.com/ dá pra imprimir umas mandalar e fazer com elas o que bem entender.

   A palavra Mandala em Sânscrito quer dizer círculo (ou círculo mágico). Para Jung a produção espontânea de uma mandala é um passo no processo de individuação (conceito básico de sua teoria psicológica). Jung coloca que a mandala é uma auto-representação de um processo psíquico de centralização d apersonalidade.

   Essa música do Mombojó me tocou particularmente enquanto eu viajava na mandala:

deixe-se acreditar

eu quero um samba pra me aquecer
quero algo pra beber, quero você
peça tudo que quiser
quantos sambas agüentar dançar
mas não esqueça do nosso trato
da hora de parar
só vamos embora quando tudo terminar
eu vou te levar aonde você quer chegar
eu tenho a chave nada impede a vida acontecer
deixe-se acreditar
nada vai te acontecer
tudo pode ser
nada vai te acontecer, não tema
esse é o reino da alegria



 Escrito por Mari às 10h20
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